PGE/SC promove evento em celebração ao Dia da Mulher no Cinema do CIC

Mais de cem servidoras, tanto do órgão central de serviços jurídicos quanto de outras instituições públicas, participaram de palestra e roda de conversa com personalidades femininas da Procuradoria e do Estado 

Mais de cem procuradoras, servidoras, terceirizadas e estagiárias da Procuradoria-Geral do Estado (PGE/SC) se encontraram no Cinema do Centro Integrado de Cultura na tarde desta segunda-feira, 9, para prestigiar a palestra e roda de conversa “Mulheres que inspiram”. Promovida em celebração ao Dia Internacional da Mulher, a programação reuniu mulheres de destaque na instituição e no Estado para um diálogo acerca da dupla jornada feminina, e o equilíbrio entre a vida profissional e a familiar. A iniciativa foi planejada pelo Núcleo de Eventos e Apoio às Relações Institucionais (Nearp) da PGE/SC, coordenado pela servidora Patrícia Ferreira.

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Conduzido pela procuradora-geral adjunta para Assuntos Administrativos, Ligia Janke, o encontro recebeu a empresária catarinense Dayane Titon, CEO da Baly Brasil, empresa do ramo de bebidas de Tubarão. Dayane compartilhou relato de sua experiência profissional, e os desafios que precisou enfrentar – conciliando a carreira com a maternidade, em um setor que, segundo ela, é dominado pelos homens.

“Desde o início precisei lutar para garantir meu espaço, seja dentro da empresa ou no mercado, frente a meus clientes ou concorrentes. Ser uma mulher de negócios é um desafio duplo, que exige força e dedicação fora do comum”, explicou a empresária. Para ela, parte do desafio é também se lembrar do equilíbrio sempre necessário entre a vida profissional e a vida pessoal. “De nada adianta ser uma pessoa bem sucedida na vida profissional e falhar com os filhos, com o companheiro. Não adianta buscar nosso lugar ao sol, e não ser admirada por quem nos ama”.

Dayane Titon conversa com mulheres durante evento “Mulheres que inspiram” – Foto: Mateus Spiess/Ascom PGE/SC

Dayane falou sobre a necessidade de ser protagonista da própria história, sem esperar validação externa para construir suas próprias conquistas. Para ela, é também o papel de toda mulher ser inspiração para outras ao seu redor. “Quando uma mulher sobe, ela traz outras para cima com ela. É importante nos inspirarmos umas nas outras, mas também ter em mente que nós também podemos servir de inspiração para outras ao nosso redor”, afirmou.

A biomédica e fisioterapeuta Viviane Colombo também participou do evento. Residente em Criciúma, ela propôs uma reflexão sobre a beleza feminina e compartilhou histórias de superação vividas por ela e por pessoas que atendeu no seu instituto de estética.

Roda de conversa

O segundo momento do encontro foi dedicado a uma roda de conversa com a procuradora do Estado aposentada Edith Gondin, e a delegada de polícia Patrícia Zimmermann d’Ávila. Pioneiras em suas respectivas ocupações – a primeira por ter implantado a Procuradoria Especial em Brasília, em 1995, e a segunda por coordenar as DPCAMIs -, as duas conversaram com a procuradora Ligia Janke a respeito de suas trajetórias no serviço público, e os desafios que precisaram superar ao longo dos anos de dedicação às suas carreiras.

Coordenadora das Salas Lilás da Polícia Civil, programa dedicado ao acolhimento de mulheres e crianças vítimas de violência no Estado, a delegada Patrícia Zimmermann d’Ávila liderou os esforços dentro do órgão para ampliar a capacidade de atendimento às vítimas de violência doméstica e ampliar os instrumentos para o combate a esse crime. Ela conversou com as mulheres presentes sobre a sua trajetória na corporação, assim como o papel que hoje exerce como delegada de polícia no Estado.

“É um trabalho desafiador, que lida todo dia com situações complexas. Precisamos sempre considerar que as pessoas que atendemos estão em situação de vulnerabilidade e é preciso ter, ao mesmo tempo, força e delicadeza para encontrar a melhor maneira de acolhê-las”, contou a delegada, ao compartilhar a experiência de criação das Salas Lilás no Estado. “Esse projeto é resultado de nosso contato com essas mulheres. Conforme nosso contato com elas percebemos que nessa situação, elas não poderiam ficar em uma delegacias comuns. Elas necessitavam de um local especializado para acolhimento, que pudesse fornecer a elas estrutura para atender às suas necessidades legais, mas também pessoais. Afinal, muitas delas vêm acompanhadas de seus filhos, de crianças também vulneráveis, que precisam de ainda mais cuidado. As Salas Lilás surgiram como uma resposta a esse problema”.

Procuradoras do Estado Ligia Janke e Edith Gondin em roda de conversa com a delegada Patrícia Zimmermann d’Ávila – Foto: Mateus Spiess/Ascom PGE/SC

Patrícia também abordou o constante desafio de conciliar o papel de mulher com a função de delegada em uma corporação composta, em sua maioria, por homens. “Eu comecei em uma delegacia que era composta apenas por homens. Quando cheguei, eles não gostaram, queriam que eu fosse embora. Eu precisei me provar, deixar claro para eles que sabia fazer – e muito bem – o meu trabalho”, lembrou Patrícia. “Ser mulher, infelizmente, é assim. Não se pode recuar, é preciso encher o peito e enfrentar os desafios da carreira com coragem”.

Pioneira na representação jurídica do Estado na capital federal, com um trabalho que plantou as primeiras sementes do que um dia seria a Procuradoria Especial em Brasília, Edith Gondin teve uma carreira de mais de trinta anos na PGE/SC – dez dos quais ela esteve no Planalto Central. Ela compartilhou detalhes da sua trajetória na instituição, e falou principalmente sobre a rede de apoio que teve em sua carreira, que a permitiu alcançar as conquistas que alcançou.

“Minha estada em Brasília se deve a três mulheres. A primeira delas foi a procuradora Assi Schifter, que determinou a minha ida, sem que eu soubesse. A segunda foi a minha mãe, que me acolheu e me deu coragem para enfrentar os desafios que enfrentei lá. A terceira mulher foi minha colega, a procuradora Kátia Simone Antunes. Ela me apoiou frente às críticas que enfrentei ao longo desse período, e me incentivou a permanecer e me dedicar ainda mais ao meu trabalho”, contou a procuradora. Segundo ela, a união das mulheres no ambiente de trabalho e fora dele é fundamental. “Foi esse apoio que recebi, das mulheres ao meu redor, que permitiu que eu ficasse tanto tempo em Brasília, em um trabalho que diariamente me trazia desafios consideráveis”.

“Se outra mulher jovem, como eu na época, estiver na dúvida sobre aceitar ou não um cargo de importância, assim como eu estive, eu afirmo: não olhe para o lado, vá em frente. A vida sem desafio é morna. Nenhuma conquista é fácil, mas o esforço sempre vale a pena no final”, concluiu a procuradora.

Campanha de combate à violência contra a mulher

Presente no evento, o procurador-geral do Estado, Marcelo Mendes, falou sobre a importância do Dia da Mulher para reconhecer as conquistas das mulheres em Santa Catarina e no mundo. Ele destacou as dificuldades enfrentadas diariamente por elas, com a dupla jornada feminina que é lugar comum em tantos lares brasileiros, exaltou a força daquelas que precisam se desdobrar diariamente entre a carreira e a família, equilibrando responsabilidades imensuráveis.

Mas o chefe da instituição não se ocupou apenas de exaltar virtudes. Marcelo Mendes também aproveitou seu espaço para falar sobre a campanha de combate à violência contra a mulher lançada pelo Governo do Estado no início do ano. Intitulada “Seja Homem”, a iniciativa busca promover uma ressignificação do termo masculinidade. “‘Ser homem’ não é impor força física; é levantar o padrão do respeito, dividir a carga mental da casa, não tolerar piadas machistas e garantir um ambiente onde as mulheres sejam livres”, explicou o procurador-geral do Estado, deixando um recado duplo aos presentes no evento: “Às mulheres: rompam o ciclo, não aceitem o abuso. O Estado de Santa Catarina está aqui para protegê-las. Aos homens, repito o lema que deve ecoar em nossos corredores e em nossos lares: Não seja cúmplice. Defenda quem está ao seu lado. Seja homem. Denuncie!”

Homenagens

O evento contou ainda com a entrega de uma homenagem a servidoras e procuradoras que, por meio de seu trabalho, constroem diariamente a PGE/SC. A distinção foi concedida às procuradoras do Estado Laisa Pavan da Costa, Sandra Cristina Maia e Rosângela Conceição de Oliveira Melo, e às servidoras Andrea Figueiro da Silva, Aurora de Araújo Braga, Elaine Ferreira dos Santos, Grace Afonso Moreira Cunha, Juciana Fernandes da Silva Ascenso, Juliana Carara Soares Ramos, Luciana Camargo Casali, Magali Santos, Maristela Aparecida Silva e Vanessa Ribeiro Lazzari Sergiheli.

(Colaboração: Mateus Spiess).